quarta-feira, 15 de novembro de 2023

A imprescindibilidade da administração do ônus corporativo

Três anos após o início de uma das mais significativas crises sanitárias da história da humanidade, os encargos econômicos tornaram-se inelutáveis. Diante das dificuldades financeiras que afligem vários países, incluindo a potência econômica global, as empresas necessitam, agora, fortalecer-se e angariar aliados para assegurar a continuidade de suas operações.


Para compreendermos a magnitude do impacto econômico envolvido, vale destacar os dados do Indicador de Recuperação Judicial e Falências da Serasa Experian. De janeiro a agosto do corrente ano, foram protocolados 830 pedidos de recuperação judicial, representando 99% do total do ano de 2022, que contabilizou 833 pedidos. Esses números atestam claramente a atual conjuntura do mercado.


O cerne da questão reside no fato de que, enquanto se esperava uma redução progressiva dos impactos econômicos decorrentes da crise sanitária ao longo dos anos, observou-se apenas o adiamento desses efeitos, surpreendendo negativamente diversos empresários. Embora haja explicações para a postergação, como a cautela dos bancos no ápice da crise e a retomada mais incisiva das cobranças neste ano, a expectativa era de uma recuperação gradual da economia com o tempo.


Diante desse panorama, reforça-se a importância crucial da gestão dos passivos para a manutenção das atividades empresariais, pois, de forma imperceptível, esses passivos vão minando progressivamente o lucro operacional. Desde acordos de parcelamento até a prorrogação do início das cobranças, a gestão das obrigações financeiras, aliada a um planejamento estratégico, torna-se essencial para a virada de chave e o crescimento organizacional.


É fundamental ressaltar que a existência de um planejamento preventivo também é benéfico. Tomar decisões antecipadas, antes que as dificuldades se instalem, proporciona resultados mais expressivos, pois o risco assumido é proporcional à reserva disponível.


Assim, a elaboração de estratégias relacionadas aos passivos não se destina apenas a empresas já imersas em desafios financeiros. Na verdade, essa gestão constitui um pilar fundamental para o crescimento sustentável do negócio, visando otimizar as operações e aumentar a eficiência do fluxo de caixa.


Estar um passo à frente dos movimentos econômicos globais é sempre desejável para o destaque da empresa, embora nem sempre seja possível. Contudo, estar preparado para crises financeiras, como o efeito econômico postergado da COVID, é essencial na estruturação empresarial e sempre viável. A gestão de passivos emerge, hoje, como um dos principais aliados dos empresários no Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O ICMS e o princípio da seletividade nos setores de energia elétrica e de telecomunicações

 Espera-se que a decisão proferida pela Corte Suprema, haja vista sua força vinculante em relação ao Judiciário, venha ratificar a aplicação...