sábado, 25 de novembro de 2023

Devo pivotar? 5 sinais que mostram que é hora de recalcular a rota da startup

 


Pivotar é um dos termos que entraria sem sombra de dúvidas em um dicionário do ecossistema de inovação, que costuma se comunicar com inúmeros jargões adaptados de outros idiomas, principalmente o inglês. Se você está começando a sua startup, entender as expressões é importante para conseguir dialogar com outros atores do ecossistema.

Mas o que a expressão significa? Uma startup pivota ao alterar alguma vertente importante que foi decidida quando foi inicialmente criada. Por exemplo: a empresa muda o modelo de negócio, o público-alvo, a forma de cobrar pelo serviço ou então como entrega um produto.


“Pivotar pode ser uma mudança de escopo, reformulação do que você oferece ao mercado, alteração nos canais de venda ou até da atuação, de B2C para B2B, por exemplo. Pivotar é uma necessidade para seu negócio não estagnar ou morrer”, declara Angélica Nkyn, conselheira de startups, investidora-anjo e CEO da venture builder Boom Ventures.


Em muitos casos, a mudança de rota acontece ainda na fase embrionária da startup, nos testes do produto mínimo viável (MVP). “Poucos negócios mantêm o modelo que foi idealizado quando nasceram. Toda empresa passa por pelo menos uma grande mudança no processo de validação, mas como isso acontece muito no início, torna-se praticamente invisível para o mercado”, salienta Pedro Carneiro, sócio da ACE.


Como saber se é hora de pivotar?

Augusto Galvão, diretor executivo do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), elencou alguns pontos para ficar de olho:

  • Resultados insatisfatórios: Se a empresa não está gerando lucro ou crescendo como o esperado, é hora de considerar uma mudança. Especialmente nos estágios iniciais, é fundamental verificar se a startup está atingindo o problem solution fit, ou seja, se está resolvendo efetivamente o problema que se propõe a resolver. Se isso não estiver acontecendo, é sinal de que é hora de ajustar a estratégia;
  • Feedback dos clientes: Se os consumidores estão constantemente insatisfeitos, isso é um alerta. Geralmente ocorre quando o product market fit não está sendo alcançado, ou seja, o mercado não percebe o valor do produto;
  • Mudanças no mercado: Se o setor está mudando e a empresa não acompanha, pode ser a hora de se adaptar. É importante observar as tendências e a concorrência;
  • Problemas financeiros persistentes: Se o negócio enfrenta dificuldades por um período prolongado, a pivotagem pode ser necessária para garantir a sustentabilidade financeira;
  • Novas oportunidades: Capitalizar em cima de oportunidades é razão suficiente para pivotar, ainda que isso envolva repensar a proposta inicial.

Se o empreendedor escolher pivotar, é importante saber que a mudança pode impactar a equipe atual por necessitar de novos skills para seguir em frente com o plano ou então resultar em mudança ou adaptação na cadeia de fornecedores. “Pivotar pode impactar tempo, esforço e até captação de recursos financeiros. Cabe uma análise estratégica para a tomada de decisão. O que vai definir [o sucesso] é a agilidade, a adaptação às mudanças e o fôlego na capacidade de entrega”, ressalta Nkyn.

A HRTech com foco em PMEs Sólides precisou pivotar o seu modelo de negócio em 2015. Fundada cinco anos antes, a startup oferecia um software para gestão de pessoas, mas uma série de decisões erradas levou a empresa à beira da falência. Mônica Hauck, cofundadora e CEO da startup, decidiu seguir focar nas pequenas e médias empresas como principais clientes – apesar de, muitas vezes, esse público não investir em recursos humanos. Deu certo: em fevereiro de 2022, a HRTech levantou R$ 530 milhões na maior captação de uma startup latino-americana do setor até então. Neste ano, a Sólides expandiu a atuação e passou a oferecer benefícios flexíveis.


Peoplefy passou pelo processo recentemente, em maio de 2023. Nascida como um disparador de comunicados internos para colaboradores por meio de WhatsApp, Teams, e-mail e Slack, a startup pivotou para um criador de campanhas gamificadas, com desafios, pontos e recompensas personalizadas pelas empresas.

O foco deixou de ser apenas a comunicação entre gestores e funcionários e passou a ser o acompanhamento do desempenho e da motivação dos times. “Percebemos a oportunidade de atingir um mercado mais abrangente. Lançamos uma versão do produto com gamificação e o retorno do interesse foi imediato”, conta Cris Sacramento, cofundador da Peoplefy. Segundo o empreendedor, após a mudança, houve redução do ciclo de vendas de 35 para nove dias e o volume mensal quadruplicou.


Resumindo

Atente-se aos sinais, mas tenha em mente que cada caso é único. “A decisão de pivotar deve ser baseada em uma avaliação cuidadosa das circunstâncias específicas da empresa e do mercado em que atua. Às vezes, pode ser necessário fazer várias pivotagens ao longo do tempo, enquanto em outras situações, uma única mudança pode ser suficiente. A chave é estar disposto a ajustar o curso quando for necessário”, finaliza Galvão.



FONTE: https://revistapegn.globo.com/startups/noticia/2023/11/devo-pivotar-5-sinais-que-mostram-que-e-hora-de-recalcular-a-rota-da-startup.ghtml

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