Os maiores grupos familiares nacionais têm uma escala respeitável e as suas histórias de sucesso tiveram sempre momentos difíceis que colocaram à prova a sobrevivência que os acionistas ultrapassaram.
O artigo anterior explicava as razões do superior desempenho dos grupos familiares a nível mundial por isso hoje proponho olharmos para Portugal … Que Famílias construiram os melhores grupos empresariais de escala e pegada internacional? Como se comportam face aos não-familiares? Que atributos distintivos possuem e que sérios desafios de sobrevivência enfrentaram e superaram ?
Embora tenha limitações, a capitalização bolsista é o indicador mais homogéneo e transparente para avaliar escala empresarial. Tomámos o ranking dos grupos nacionais por “market cap” e o resultado é surpreendente – quase metade das maiores cotadas nacionais são grupos familiares e a Jerónimo Martins está bem acima dos restantes, no pódio com EDP e Galp.
Tenho relações próximas com qualquer dos seis grupos e sei que todos cumprem rigorosamente os quatro atributos das melhores práticas:
- Foco de longo prazo;
- Compromisso da Família com o negócio;
- Rapidez (e mesmo ousadia) na tomada de decisão;
- Cultura distintiva e vencedora, assente em valores próprios vividos por todos.
Estes atributos têm muito valor mas é a forma como um grupo enfrenta os três desafios mais exigentes que é determinante — preservar a unidade acionista, ter recursos para manter o controlo acionista e ter sempre um grande sucessor para a liderança executiva do Grupo. Qualquer destes grupos enfrentou e sobreviveu a tempestades que não os mataram e claro só os tornaram mais fortes, preparados e autoconfiantes. Vejamos alguns exemplos de desafios enfrentados pelos grupos familiares acima evidenciando o caráter que os tornou superiores.
- Há cerca de 25 anos Alexandre Soares dos Santos, líder do Grupo Jerónimo Martins, nomeara o seu primogénito como CEO mas este arrancou com decisões tão desastrosa que colocou em causa a própria sobrevivência do Grupo – é despedido e o Grupo é salvo por uma dolorosa reestruturação.
- No Grupo Sonae foi o processo de sucessão do fundador que agitou águas – o filho Paulo era a escolha natural mas vários “bois sagrados” ambicionavam o lugar, Paulo sabia disso e assim que nomeado despede-os e constrói uma equipa de confiança com Ângelo Paupério como seu braço direito.
- A Mota Engil enfrentou muitos desafios mas o mais sério foi a alta alavancagem da holding familiar devido ao capital exigido pelo crescimento do Grupo e que colocou em risco a preservação de controlo do capital pela Família. A solução veio da China com a brilhante operação de venda duma posição relevante no capital do Grupo à empresa estatal chinesa China Communications Construction Company.
- Por fim, o Grupo Semapa, alvo de um ‘take-over’ hostil de Ricardo Salgado e das irmãs a Pedro Queirós Pereira. Com a perda de controlo da Semapa quase consumada, Pedro joga uma carta de trunfo magistral denunciando com caixotes de provas irrefutáveis lançados para cima da mesa numa reunião do Conselho Superior do GES as graves más práticas de Ricardo Salgado com as contas do Grupo. Foi a salvação da Semapa e o princípio do fim de Ricardo Salgado.
Os maiores grupos familiares nacionais têm uma escala respeitável e as suas histórias de sucesso tiveram sempre momentos difíceis que colocaram à prova a sobrevivência e que os acionistas ultrapassaram tornando-se mais confiantes, mais fortes e ainda mais bem sucedidos. Uma preciosa fonte inspiração para as centenas de grandes e médias empresas familiares que determinam o desempenho da economia nacional.
FONTE: https://eco.sapo.pt/opiniao/os-maiores-grupos-familiares-e-o-que-os-distingue/
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