quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Autoridades portuguesas investigam pastores e igrejas evangélicas por auxílio à imigração ilegal e branqueamento de capitais

 



A Polícia Judiciária (PJ) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) estão a investigar diversas igrejas e pastores evangélicos por auxílio à imigração ilegal e branqueamento de capitais, revelou esta sexta-feira o jornal ‘Expresso’: foram descobertos cerca de 10 casos nos últimos três anos. “As suspeitas recaem sobretudo em pequenas congregações, com ligações à América Latina, que convencem os fiéis estrangeiros, geralmente de estratos sociais mais modestos, a viajarem para a Europa à procura de trabalho. Mas as vítimas acabam muitas vezes reféns dos seus recrutadores”, contou fonte judicial ao semanário.

A justiça portuguesa condenou recentemente dois diáconos evangélicos a mais de 4 anos de prisão por 64 crimes de auxílio à imigração ilegal, num processo que contou com 38 arguidos: o tribunal deu razão à tese do Ministério Público, que defendia que os pastores e os seus familiares criavam empresas fictícias com o objetivo de trazer para Portugal imigrantes oriundos de famílias pobres com a promessa de um emprego para se legalizarem: o negócio, segundo o MP, consistia em “emitirem faturas de serviços que não prestavam para obterem comprovativos de atividade da empresa e assim criar um faturação forjada em Portugal”.

Pelo serviço, o grupo cobrava entre 375 e 5 mil euros, conforme o grau de complexidade, usando escritórios de advogados e de contabilidade: estavam igualmente ‘garantidos’ 500 euros por cabeça pelo arrendamento de quartos aos imigrantes.

A família condenada, que dominou a hierarquia desta igreja evangélica, é suspeita de ter criado 400 empresas fictícias e trazido ilegalmente para Portugal 150 imigrantes, sobretudo quem frequentava os cultos evangélicos. “Os ‘clientes’ eram recrutados sobretudo entre os ‘irmãos’. Alguns até vieram da Bélgica, porque a rede está espalhada pela Europa”, relatou a fonte.

Decorreu em janeiro de 2020 uma das maiores operações contra uma igreja evangélica: o SEF deteve três pastores após buscas em três centros da congregação Assembleia de Deus, em Cascais, Montijo e Amadora. Neste último, foram encontrados 30 fiéis num grande armazém, sem as mínimas condições de higiene, “em quarto exíguos, com falta de água e com uma cozinha comum”: pagavam 400 euros mensais à igreja, que garantiu estar a prestar “ajuda humanitária”.

Atualmente está sob investigação outro grupo religioso na linha de Sintra, que poderá estar envolvido em negócios ilegais de lavagem de dinheiro com uma rede internacional de tráfico de diamantes – o pastor e um primo, militar da GNR, usavam contas bancárias da igreja para receber e transferir dinheiro do numeroso grupo de suspeitos alvo da unidade de contracorrupção da PJ. Foram também detidos, nos últimos dois anos, pastores evangélicos em Vila do Conde e no Seixal que terão feito mais de 100 vítimas de tráfico de seres humanos.

fonte: https://executivedigest.sapo.pt/noticias/autoridades-portuguesas-investigam-pastores-e-igrejas-evangelicas-por-auxilio-a-imigracao-ilegal-e-branqueamento-de-capitais/

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