Fazenda espera superar meta para recuperação de tributos em 2024 e dará foco a grandes devedores
BRASÍLIA
(Reuters) – Encarregada por buscar quase 40% da arrecadação adicional
estipulada como meta em 2024 para zerar o déficit primário do governo, a
procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Almeida, defendeu à Reuters que
a missão é factível e com possibilidade de surpresas positivas.
Isso
porque, fora do esforço já delineado no Orçamento do ano que vem, o ministério
prepara uma ofensiva sobre os 100 maiores processos tributários com chance de
recuperação de recursos, disse Almeida, ressaltando que qualquer ganho dentro
de um universo de 180 bilhões de reais em discussão levará a um incremento das
receitas públicas em 2024.
“O
que vier é lucro,” afirmou a procuradora, ao exemplificar que só a Petrobras,
que tem demonstrado maior abertura para negociação tributária, entra nessa
lista com quatro processos, somando cerca de 40 bilhões de reais.
O
governo considera que há chance elevada de recuperação desses recursos, pois,
para a elaboração da lista, foram consideradas apenas dívidas para as quais as
empresas já fizeram um depósito em garantia.
“Eu
não tenho nenhuma pretensão de ganhar os 100 processos, quero resolver os 100
processos, quero que essas discussões jurídicas cheguem a um término”, afirmou.
“Se a gente ganhar, o dinheiro entra, mas então que ele entre logo. E se a
gente perder, o dinheiro sai, mas que ele saia logo porque daí eu alivio também
aquele custo da garantia para a empresa.”
A
atuação da Procuradoria da Fazenda Nacional, que defende a União em causas
tributárias e também apura e cobra créditos de outras naturezas, está no
coração do plano do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para equilibrar as
contas públicas do ano que vem. Do esforço arrecadatório extra de 168,5 bilhões
de reais colocado como alvo, há 66,8 bilhões de reais que envolvem diretamente
o órgão.
GANHO FACTÍVEL
Após
o governo ter conseguido apoio no Congresso para recompor o voto de qualidade
no Carf, devolvendo à União a vitória em casos de empate no conselho que julga
administrativamente as disputas tributárias, a expectativa é de levantar 54,7
bilhões de reais com esses julgamentos no ano que vem.
Lucrando
com o Medo
Estratégia
é capaz de gerar de 2% a 6% de rentabilidade mensal em dólar com uma operação
por mês
O número, já incluído como receita no projeto orçamentário do ano
que vem, é visto com ceticismo pelo mercado, mas Almeida defendeu sua
viabilidade ao apontar que esta é uma pequena fração do que está na mesa do
conselho. Em um recorte de 1.500 processos, há 800 bilhões de reais em autos de
infração que podem ser julgados.
“E
1.500 processos para o Carf julgar no ano é altamente factível, é altamente
razoável”, disse.
Dados
do governo mostram que para alcançar o volume de decisões mencionado por
Almeida, o Carf terá que intensificar fortemente a pauta de julgamentos. Em
2022, as deliberações do Conselho envolveram disputas sobre 138,6 bilhões de
reais, enquanto o montante julgado nos oito primeiros meses deste ano ficou em
190,8 bilhões de reais.
Em
relação a outros 12,1 bilhões de reais que o governo espera recolher a partir
da negociação de grandes controvérsias tributárias, Almeida ressaltou que
mudanças no projeto de lei que promoveu as alterações no Carf também abriram
caminho para que essas transações se tornassem mais vantajosas para os
contribuintes, aumentando o desconto para o pagamento a 65% e a possibilidade
de parcelamento da dívida pactuada em até 120 vezes.
“Eu
acho que a transação de grandes teses vai trazer novidades boas”, disse. “A
gente tem esse termômetro, faz quatro anos que a gente está fazendo transação.
(…) Com base nessa expertise, a gente tem essa capacidade de ir para a
transação de grandes teses com força total.”
A
expectativa, segundo a procuradora, é de atrair à mesa de negociação
contribuintes interessados em virar a página em um tema tratado como a grande
tese, que discute o tipo de insumo que pode ser retirado da base de cobrança
dos impostos federais PIS e Cofins, tema que deve ser objeto do lançamento de
um edital de renegociação de dívidas em novembro.
Almeida
reconheceu que a abertura de programas que buscam recuperar créditos a partir
da concessão de descontos a devedores gera risco de que contribuintes avaliem
não pagar dívidas e esperar uma oportunidade futura. No entanto, ela ponderou
que, diferentemente das renegociações irrestritas de Refis feitas no passado,
as transações tributárias só concedem vantagem a pessoas e empresas com baixa
capacidade de pagamento e que não teriam condição de honrar as dívidas de
outras maneiras.
Além
das iniciativas que buscam arrecadação adicional em 2024, a pasta também conta
com ganhos extras na recuperação de recursos da dívida ativa da União, que
reúne créditos tributários sobre os quais o contribuinte não tem mais
possibilidade de recurso ou contestação. O projeto de Orçamento de 2024 prevê
uma receita de 46 bilhões de reais nessa frente.
“Poderia
ter chegado aos 50 bilhões de reais, por exemplo. Talvez até chegue”, disse
Almeida, ao argumentar que uma previsão maior não foi incluída no Orçamento
porque o processo de recuperação da dívida ativa, com milhares de processos, é
“ quase artesanal” e envolve riscos.
Em
2022, foram recuperados 39 bilhões de reais da dívida ativa e, para este ano, a
expectativa é que o número chegue a 42 bilhões de reais.
Fonte: https://www.infomoney.com.br/economia/fazenda-espera-superar-meta-para-recuperacao-de-tributos-em-2024-e-dara-foco-a-grandes-devedores/
Nenhum comentário:
Postar um comentário